A (não) transparência e democracia dos algoritmos

Hoje temos duas dicas de leituras que mostram o quanto a falta de transparência por trás dos algoritmos pode ser um tiro no pé na Democracia da Internet.

Começo pelo artigo “Precisamos falar sobre o controle de agitações civis pelo Facebook”, do Intervozes e publicado na Carta Capital nesta terça-feira, 19.

(E que dia! Mais um para se recordar do bloqueia-desbloqueia da Justiça Brasileira. Nem Pokemon Go! é capaz de gerar tanta confusão que o Whastapp no Brasil.)

O texto do Intervozes chegou até mim por indicação de Viviane Broachadt e Dino Magnoni, antes mesmo de qualquer Google Alerta (tomou, Google?).

Montagem com algoritmos no cartas de Procura-se

Procura-se algoritmo transparente – vivo ou morto.

Basicamente, o artigo debate as consequências da revelação de um pesquisador do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que participou de experimentos junto ao Facebook para medir o humor das pessoas por meio de suas timelines. A reflexão do autor André Pasti é mais complexa mas, no final da contas, a culpa quase fica para os vilões do século, os algoritmos. Destaco um trecho:

“Para não nos acusarem de instaurar o pânico ou corroborar com teorias da conspiração, vale lembrar que o algoritmo é uma ferramenta de tecnologia. Os algoritmos são conjuntos de regras e procedimentos lógicos definidos por programação para desempenhar certas atividades. Não são nada novos na computação, mas seu uso tem crescido para fazer a mediação de muitas atividades de nossa vida real. Eles podem resolver muitas demandas e problemas.”

Vale a leitura porque reforça que a tecnologia é, antes de tudo, fruto de cultura, política e decisões comerciais. Logo, algoritmos podem e devem ter objetivos claros e lógicos, mas não são nada neutros.

Por isso, o artigo engata em seguida que:

“Pensar os impactos dessas tecnologias na cultura, nos hábitos, nos cotidianos, e seu controle por poucos agentes torna-se importantíssimo. Se podemos ter tecnologias que permitem um mundo muito mais humano e democrático, precisamos refletir se elas estão sendo utilizadas para produzir este outro mundo ou se estão sendo elaboradas para perpetuar, aprofundar e ampliar a escala das desigualdades socioeconômicas e socioespaciais.”

Em síntese, ainda giramos sobre algoritmos opacos que funcionam de acordo com lógicas alheias ao nosso conhecimento. Mas precisamos hackeá-los, criar instrumentos e pressão por transparência, instigar o debate teórico e experimentar soluções práticas.

Enfim, nadar mais contra essa corrente antes que os algoritmos passem a valer mais do que a indicação preciosa de um amigo.

Democracia na web x Bolhas

No comecinho do blog, outro colega virtual, Renan Brandão, já tinha me dado a indicação de um livro que coloca lupas sobre os bastidores da Internet.

Renan sugere o livro “O Filtro Invisível. O que a Internet está escondendo de você“, de Eli Pariser, presidente da MoveOn.org. A discussão da obra fica por conta das bolhas e filtros de informação. Grandes corporações utilizam nossos rastros digitais para criarem perfis de conduta.

Assim, passam a viver com anúncios publicitários personalizados, timeline adaptada e sugestões de leituras no Google Now.

Uma personalização tão excessiva que acaba atendendo  mais aos interesses de consumo do que do cidadão.

(Quer um exemplo? Não aguento mais tanta especulação sobre os próximos capítulos de Walking Dead ou sobre o que acontecerá com os Starks na Sétima Temporada de GOT. Poxa vida, nem para mostrar um textinho sequer sobre algoritmos, Google Now?)


A utopia aparente nos dois conteúdos acima está natransparência dos algoritmos em  busca da verdadeira democratização da Internet. E faz sentido esse sonho.

Remendos e estragos dos algoritmos na vida das pessoas

Remendos e estragos dos algoritmos na vida das pessoas. Autor da foto: desconhecido, mas astuto.

Afinal, nenhuma bolha consegue se sustentar sem que estoure um dia, e nenhuma manipulação algorítmica é maior do que a capacidade de reinvenção do ser humano ou da superação do cara que remendou essa Havaina da foto.

Até quinta-feira (ou sexta)!

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